ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Estava ali parado... esperando...
Na minha frente, nenhum carro, só o sinal vermelho
Subitamente, ouvi gente gritando, buzinando
Ansioso tentei, em vão, olhar para o espelho...
Invadiu-me o medo... não enxergava, só via um branco
Outras pessoas vieram socorrer-me pois eu gritava...
Socorro! Estou cego! Não enxergo! Aos prantos lamentava
Obrigado! Disse ao homem que depois de guiar meu carro me roubava...
Bandido! Aproveitou-se para roubar o carro e a minha carteira
Rápido demais foi castigado, foi preso numa rua próxima desorientado...
Entrou na contra-mão, desviou-se do poste e colidiu com uma lixeira
A cidade estava em polvorosa... epidemia!
Cegos ficaram o bandido, o policial, o médico, os pobres e os abonados
Exceto a mulher do médico, apesar do contato direto, ainda via...
Gangrena da sociedade, nós, os cegos fomos então segregados, abandonados
Um de nós, a mulher do médico, fingiu-se cega para nos acompanhar
Extintas as nossas esperanças, afloravam agora, os mais primitivos instintos
Insípida rotina fazia-nos, por água, comida... sexo, lutar
Rainha dos olhos sadios, a mulher do médico, nos guiava pelo lugar e seus labirintos.
Amanheceu um dia e não havia mais guarda! Saímos então na cidade vazia a perambular...
Escrito por Paulo às 17h16
[]
[envie esta mensagem]
[ link ]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|