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BRASIL, Sudeste, SAO BERNARDO DO CAMPO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Esportes, Música



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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Estava ali parado... esperando...

Na minha frente, nenhum carro, só o sinal vermelho

Subitamente, ouvi gente gritando, buzinando

Ansioso tentei, em vão, olhar para o espelho...

Invadiu-me o medo... não enxergava, só via um branco

Outras pessoas vieram socorrer-me pois eu gritava...

 

Socorro! Estou cego! Não enxergo! Aos prantos lamentava

Obrigado! Disse ao homem que depois de guiar meu carro me roubava...

Bandido! Aproveitou-se para roubar o carro e a minha carteira

Rápido demais foi castigado, foi preso numa rua próxima desorientado...

Entrou na contra-mão, desviou-se do poste e colidiu com uma lixeira

 

A cidade estava em polvorosa... epidemia!

 

Cegos ficaram o bandido, o policial, o médico, os pobres e os abonados

Exceto a mulher do médico, apesar do contato direto, ainda via...

Gangrena da sociedade, nós, os cegos fomos então segregados, abandonados

Um de nós, a mulher do médico, fingiu-se cega para nos acompanhar

Extintas as nossas esperanças, afloravam agora, os mais primitivos instintos

Insípida rotina fazia-nos, por água, comida... sexo, lutar

Rainha dos olhos sadios, a mulher do médico, nos guiava pelo lugar e seus labirintos.

Amanheceu um dia e não havia mais guarda! Saímos então na cidade vazia a perambular...



Escrito por Paulo às 17h16
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